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.: Agosto - 1995

Artroscopia de cotovelo

MARCELO HIDE MATSUMOTO, ANTONIO ALTENOR BESSA DE QUEIROZ, SÉRGIO JOSÉ NICOLLETI, JOÃO EDUARDO PATO

INDICAÇÕES

As indicações da artroscopia do cotovelo são divididas em dois grandes grupos: artroscopia diagnóstica e artroscopia terapêutica. A artroscopia diagnóstica não substitui a história clínica bem realizada, o exame físico e os exames subsidiários de rotina, porém representa importante recurso em diversas situações: 1) dor crônica de etiologia desconhecida; 2) possível corpo livre; 3) realização de biópsia; 4) contratura espontânea. Na artroscopia terapêutica do cotovelo, as principais indicações têm sido: 1) remoção de corpos livres; 2) sinovectomia; 3) desbridamento de lesões ósseas, principalmente osteocondrites; 4) excisão de osteófitos, principalmente os de localização póstero-medial no olécrano; 5) tratamento de aderências de partes moles, eventualmente ósseas, após fraturas ou cirurgias, tanto em flexão como em extensão. O tratamento da fratura da cabeça de rádio e da epicondilite lateral são indicações menos comuns, porém podem ser feitas em situações especiais. Contra-indicações incluem limitação intensa do cotovelo que impossibilite a entrada do artroscópio e infecção ativa, sendo a transposição anterior do nervo ulnal uma contra-indicação relativa, pois causa dificuldade maior mas não invalida o método.

TÉCNICA OPERATÓRIA

Anestesia
A anestesia geral, que permite o relaxamento muscular adequado, e o bloqueio regional, quer interescalênico quer axilar, que possibilitam o procedimento ambulatorial com analgesia pós-operatória adequada, são as anestesias mais indicadas.

Instrumental e posição do paciente

O instrumental básico para artroscopia de joelho e ombro é o mesmo para o cotovelo; artroscópio de 2,7mm com ângulo de 30 graus é o preferido; em algumas situações, como ressecções de corpo livre, pode ser utilizada cânula com angulação de 70 graus. A posição do paciente em decúbito dorsal, com o cotovelo em suspensão (fig. 1), tem sido a preferida por nós, por facilitar o posicionamento e a monitoração do paciente pelo anestesista, permitindo também acesso a todas as portas de entrada artroscópicas. A posição em decúbito ventral é utilizada em ocasiões mais específicas, não sendo seu uso rotineiro. Outra posição, descrita por O’Driscoll & Morrey, é a lateral (fig. 2), também muito útil.

Portas de acesso padrões
Ântero-lateral – A porta ântero-lateral é a mais comumente utilizada na porção lateral. Geralmente é por onde se inicia a entrada na articulação do cotovelo, tendo sido descrita por Andrews & Carson(1). O ponto de entrada localiza-se a 3cm distalmente e 2cm anteriormente ao epicôndilo lateral. O nervo radial passa a aproximadamente 4mm, quando o cotovelo ainda não foi insuflado por líquido, e 11mm, com o cotovelo distendido (fig. 3). As estruturas anteriores do lado medial, incluindo a porção distal do úmero, o processo coronóide da ulna e o ligamento colateral medial, podem ser visibilizadas por essa porta.

Lateral – Às vezes, a porta lateral pode ser utilizada para iniciar a entrada na articulação do cotovelo. O ponto de referência para a entrada é o centro do triângulo formado pelo epicôndilo lateral, cabeça do rádio e olécrano. Não existem estruturas neurovasculares nessa região; pode ser utilizado para insuflar inicialmente o cotovelo para portas posteriores. Podem ser visibilizadas por esta porta a articulação radioulnal proximal, a porção inferior da cabeça do rádio e a porção póstero-lateral da cavidade semilunar da ulna.

Póstero-lateral – O ponto de entrada localiza-se a 3cm proximalmente à ponta do olécrano, perto da margem lateral do tríceps (fig. 4). A maior estrutura que necessita de cuidado é o nervo ulnal, que se localiza do lado medial. Visibiliza a fossa olecraniana, em particular nos pacientes com osteofitose por trauma, com o cotovelo em valgo e hiperextensão.

Medial – Muitas controvérsias acercam a porta medial; Morrey(2) faz concessão ao seu uso pelos riscos de lesões neurovasculares, outros a contra-indicam em atletas de lançamento, pela penetração da massa flexora e pronador redondo; entretanto, Lindenfield, recentemente, descreveu suas vantagens: permite melhor visibilização, diminui o extravasamento de líquido e é um ponto de segurança. As estruturas de melhor visibilização são a cabeça do rádio e sua articulação com o capítulo; retraindo o artroscópio, observamos o processo coronóide e sua articulação com a tróclea.

Ântero-medial – A porta ântero-medial foi descrita por Andrews & Carson(1) como um ponto a 2cm distal e anterior-mente ao epicôndilo medial, penetrando a musculatura entre o flexor radial do carpo e o flexor superficial dos dedos; com o cotovelo não distendido, o nervo mediano e a artéria braquial passam a respectivamente 4 e 9mm da porta e a 10 e 13mm com o cotovelo distendido; o nervo cutâneo medial do antebraço, ramo sensitivo, passa a 1mm, constituindo sério risco de lesão (fig. 5).

Súpero-medial – O sítio de entrada localiza-se a 1cm proximalmente e 1cm anteriormente ao centro do epicôndilo medial (fig. 5); o ponto de entrada é anterior ao septo intermuscular, próximo ao músculo braquial. Estudos anatômicos feitos por Lindenfield demonstraram a segurança desta entrada. A distância mínima é de 22mm do nervo mediano, com o cotovelo distendido por líquido.

A artroscopia de cotovelo está em fase de implantação no nosso meio. Esta é ainda uma nota preliminar, que deverá tornar-se um trabalho de maior relevância científica, ao aliarmos o nosso conhecimento da articulação do cotovelo, através de inúmeros procedimentos abertos, com a experiência em artroscopia de eméritos artroscopistas.

REFERÊNCIAS

Andrews, J.R. & Carson, W.G.: Arthroscopy of the elbow. Arthroscopy 1: 97, 1985.

Morrey, B.F.: The elbow and its disorders, 2nd ed., Philadelphia, W.B. Saunders, 1993.

Whippe, T.L.: The shoulder and elbow, Philadelphia, J.B. Lippincott, 1993.  


 
 

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