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A Revista Brasileira de Ortopedia


A Revista Brasileira de Ortopedia é uma das maiores realizações da SBOT. Sua história começa em 1933, quando Barros Lima, antes mesmo da fundação da SBOT, criou os Archivos Brasileiros de Ortopedia. Em 1939, Achilles de Araújo fundou a Revista Brasileira de Ortopedia e a editou até 1945, quando a publicação foi suspensa. Somente 20 anos mais tarde a RBO voltaria a ser impressa. Durante a gestão de Marcondes de Souza na presidência da SBOT (1963-65), foi instalada uma comissão para estudar a possibilidade de criação de um novo periódico científico em Ortopedia e Traumatologia. Na reunião da Comissão Executiva que precedeu o congresso de Ribeirão Preto, em julho de 1965, os responsáveis pelo estudo apresentaram um relatório onde concluíram pela inviabilidade da publicação, usando como principal argumento a dificuldade econômica. Na ocasião, a SBOT tinha menos de 300 sócios, condição que, segundo esta comissão, permitia apenas a edição de um boletim ou de um suplemento em uma revista já existente.

Em 1967, durante o congresso de Belo Horizonte, Márcio Ibrahim de Carvalho pediu permissão para produzir a revista na Universidade de Minas Gerais, e propôs que 50% do valor da anuidade dos sócios fossem utilizados para esse fim. Depois de muito debate, concordou-se em separar apenas 33% para financiar uma parte dos custos de produção. José Henrique da Mata Machado, então presidente da SBOT, apoiou a iniciativa e nomeou a primeira diretoria da revista, que passou a chamar-se Revista Brasileira de Ortopedia, após Achilles de Araújo ter cedido o nome para a SBOT. Por essa razão, no primeiro número ficou registrado "fundada por Achilles de Araújo". A campanha para levantar fundos incluiu até a rifa de dois carros. Em São Paulo a iniciativa contou com a importante colaboração de Lauro Barros de Abreu, que fez da RBO o órgão oficial de divulgação da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão. Assim, em 09 de dezembro de 1966, foi lançada definitivamente, no saguão da Biblioteca da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, a Revista Brasileira de Ortopedia.

Márcio Ibrahim de Carvalho editou a revista durante cinco anos e, nesse período, sua sede foi a Biblioteca da Faculdade de Medicina da UFMG. Depois do primeiro exame para concessão do Título de Especialista, em Belo Horizonte, ele julgou que seria melhor transferir a publicação para outro centro. Comunicou sua intenção de deixar o cargo a Luiz Gustavo Wertheimer, então presidente da SBOT, indicando Donato D'Angelo, um dos grandes nomes da ortopedia no Rio de Janeiro, para assumir seu lugar. D'Angelo foi prontamente aceito pela diretoria da SBOT e, pelos 27 anos seguintes, dirigiu o órgão científico.

A maior dificuldade encontrada nesse período foi a escassez de artigos. A produção de conhecimento ortopédico era pequena e havia, portanto, poucos trabalhos a serem publicados, problema que foi resolvido de uma forma criativa. O próprio D'Angelo, com Geraldo Pedra e João Alvarenga Rossi, havia integrado a Comissão Científica que estudou e organizou as normas de residência da SBOT, nas quais foi incluída a obrigatoriedade de produção de um trabalho científico pelos candidatos como pré-requisito para a inscrição no exame para obtenção do TEOT. Como prêmio, os trabalhos com notas acima de oito seriam publicados na RBO. Esse procedimento mostrou ser um grande estímulo para a produção de conhecimento ortopédico e um impulso para a revista. Outras formas encontradas para se contornar o problema foram o aproveitamento de trabalhos apresentados em congresso e a solicitação direta aos chefes de serviço para que se enviassem contribuições.

A revista publicou três números anuais entre 1971 e 1977. Em 1978, durante a gestão de Donato D'Angelo na presidência da SBOT, foi feito um acordo com uma gráfica de São Paulo, através do qual a SBOT cedia o direito de comercialização dos anúncios em troca dos trabalhos de impressão. Desde então, esse tipo de parceria tem sido a base para possibilitar a manutenção da RBO. No mesmo ano a revista passou a editar quatro números e, a partir de 1982, seis números por ano. Em 1987, na fase aguda de uma das muitas crises econômicas que assolaram o Brasil, os laboratórios reduziram seus investimentos em publicidade e a SBOT recorreu à ajuda da Finep/CNPq, conseguindo ajuda financeira pelos doze meses seguintes. Não só a dificuldade foi superada como se conseguiu que a revista passasse para 10 edições anuais. Tal volume projetou a RBO, destacando-a no meio científico. Outra evolução aconteceria em 1992, quando, por decisão do então presidente da SBOT, Edison José Antunes, a RBO foi dividida em duas partes: a primeira, organizada por dez comitês de subespecialidades e a segunda continuava seguindo o plano editorial tradicional. Em 1996, com a criação de dois novos comitês, foi possível aumentar a revista para 12 edições anuais.

Depois de 27 anos à frente da RBO, Donato D'Angelo, que fazia de seu próprio consultório a sede da RBO, pediu para ser substituído. A diretoria da SBOT concedeu-lhe, como reconhecimento e para que o veículo continuasse contando com sua colaboração, o título de Editor Emérito. Carlos Giesta, com vida dedicada ao ensino superior e, assim como seu antecessor, membro da Academia Nacional de Medicina, foi escolhido para assumir a chefia da publicação.

Em janeiro de 1999 foi promulgado pela Comissão Executiva da SBOT o Regimento Interno da RBO, estabelecendo as normas básicas que orientariam sua edição. O Regimento visava a melhor aceitação e a uniformização da qualidade dos artigos e, para tanto, mudou sua metodologia de seleção de trabalhos. Foi dada preferência aos que traziam novas contribuições, que demonstravam resultados, no longo prazo, de casuísticas com expressão estatística e que valorizavam, quando possível, a quantificação do grau de satisfação dos pacientes com o procedimento adotado. O corpo editorial também foi reestruturado e ampliado.

A partir de janeiro de 2003, na gestão de Sérgio Franco na presidência da SBOT, a RBO passou a ser editada também em inglês, fato que permitiu um reconhecimento ainda maior na comunidade científica internacional. Em 2004, quando a SBOT era presidida por Neylor Lasmar, outro grande avanço: a disponibilização do conteúdo editorial da revista na Internet, a partir de 1993. Daí em diante a RBO passou a ser uma ferramenta para atualização e reciclagem pesquisada por um número cada vez maior de usuários. A RBO também tem sido uma das preocupações da gestão de Walter Albertoni, que assumiu a presidência da SBOT no início de 2005. Foi instalado um Conselho Editorial formado por sete membros, com renovação de dois membros a cada ano. Também foi instituído um novo processo para a eleição do editor-chefe, que em vez de ser indicado pelo presidente da SBOT, passou a ser escolhido entre os seus pares do Corpo Editorial.

NOTA: Parte dos textos foram extraídos do Jornal da SBOT e do livro "Ortopedia Brasileira: Momentos, Crônicas e Fatos", editado por Manlio Napoli e Cláudio Blanc

Peer Review

O 'peer review', ou revisão pelos pares, é um dos fatores que dão sustentação à qualidade de um veículo científico. No caso da RBO, a constituição de um corpo editorial formado, em sua maioria, por professores universitários, permitiu um "peer review" criterioso. Depois de recebidos, os artigos são remetidos a um técnico especializado em metodologia de trabalho científico e a três membros do conselho editorial que atuam na mesma área. Esses profissionais avaliam os trabalhos e os devolvem com seus pareceres. A avaliação é feita sob cinco aspectos: Grau de Prioridade para Publicação, Relevância do Trabalho, Qualidade Científica e Apresentação.

O parecer também pode ser dado em cinco partes:
a) aceito como está
b) aceito com as revisões propostas
c) rejeitado como está
d) necessitando reestruturação
e) rejeitado definitivamente.

A partir destas informações o editor-chefe elabora um parecer final para o autor, que deverá acatar as correções ou manter sua posição, justificando-a adequadamente. A RBO, dialogando com os autores dos artigos que recebe, exerce inequívoca função didática. O prazo médio para publicação dos artigos é de seis meses. A rejeição de um artigo só ocorre quando ele não está adequado ao que se propõe a revista ou quando os dados não conferem com o relato do texto. Um artigo só é rejeitado definitivamente quando não traz real contribuição ou quando não há ineditismo. Para ser aceito, o trabalho tem de ter um padrão científico que justifique sua publicação e, nesse aspecto, a revista se aperfeiçoou bastante nos últimos cinco anos.

Cronologia

Momentos marcantes da Revista Brasileira de Ortopedia.

1933: Barros Lima funda os Archivos Brasileiros de Ortopedia.

1939: Criação da Revista Brasileira de Ortopedia por Achilles de Araújo.

1945: A publicação é interrompida por quase 20 anos.

1965: Criada uma comissão para estudar a viabilidade da reedição da RBO. Durante o congresso de Ribeirão Preto, a comissão julgou a tarefa impossível em função de dificuldades econômicas.

1967: Márcio Ibrahim de Carvalho assume a frente e começa a editar a RBO. No dia 9 de dezembro daquele ano a RBO é lançada oficialmente no saguão da biblioteca da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais.

1972: Donato D'Angelo assume a direção da RBO, cargo que ocupa por 27 anos.

1978: O número de edições anuais sobe de três para quatro após o fechamento de parceria com uma gráfica paulista.

1982: A RBO passa para seis edições ao ano.

1987: A crise financeira no Brasil leva empresas a diminuírem investimentos em publicidade e a SBOT recorre a Finep/CNPq para manter a revista.

1988: A dificuldade é superada e a RBO passa para dez edições anuais.

1992: A revista é 'dividida' em duas partes. Uma é gerida pelos 10 Comitês de Especialidades e a outra continua nos moldes originais.

1996: Com a criação de dois novos comitês, sobe para 12 o número de edições ao ano.

1999: Donato D'Angelo deixa a direção da revista e é substituído por Carlos Giesta. Criado o Regimento Interno da Revista Brasileira de Ortopedia, estabelecendo as normas básicas que orientariam sua edição. O corpo editorial também foi reestruturado e ampliado.

2003: Os artigos começam a ser publicados em português e inglês.

2004: A revista passa a ser online, com a disponibilização na internet dos artigos publicados a partir de 1993.

2005: Instalação de um Conselho Editorial formado por sete membros, com mandato renovável. O editor-chefe da RBO passa a ser eleito entre os integrantes do Corpo Editorial, sem a interferência da diretoria da SBOT.

2007: Em julho a revista passa a ser Indexada na SciELO  - Scientific Electronic Library Online.

2009: Carlos Giesta deixa a direção da revista e é substituído por Gilberto Luiz Camanho. O corpo editorial também foi reestruturado e ampliado. Inicia-se a fase de implantação de submissão de artigos online pelo sistema da SciELO,  o que permitirá agilizar o processo de submissão tanto dos autores como dos revisores.




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